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A culpa é sua | Artigo

29 de julho

Este texto faz parte da campanha ‘respeito é a base da transformação’, lançada pela Subseção no início de julho com o propósito de trazer reflexões para os profissionais sobre temas que permeiam o dia a dia de todos.

“Só podemos ser quem somos pelo suporte que o outro me dá. E o outro pode ser quem é pelo suporte que damos a ele”.

Há quem pense que relacionamentos são guerras, pela conquista do poder, da razão, o que gera uma enorme tensão. Temos uma crença de que temos que nos sobrepor ou nos impor as pessoas, seja no matrimonio, na família, no trabalho, na igreja, na escola, em qualquer dos palcos da vida. Acreditamos que temos que estar lutando para ter espaço pela força, sobre os outros, quando deve ser conquistado com os outros. Então será necessário sair do nível de conflito para o nível de cooperação. Esse jogo exige algumas regras. Uma delas é parar de ver o outro como um inimigo. De projetar nele a culpa por tudo o que me acontece como se eu não fosse responsável pelo que me acontece. Outra diz respeito a parar de idealizar as relações. O conflito faz parte da natureza humana, porém, não posso convertê-lo em guerra.

Quando as brigas e as discussões acontecem na família ou entre famílias, na escola, nos diferentes cenários relacionais em que atuamos, acabamos estabelecendo uma guerra porque não conseguimos gerenciar os conflitos. Buscamos culpados e não a solução dos problemas. Na medida em que me conheço, paro de me culpar por ser como sou e me aceito como sou, tomo consciência de que o outro também funciona como eu, embora seja diferente de mim, e aprendo a desenvolver a habilidade de aceitar o outro como ele é e a agir com misericórdia comigo mesmo.

Ao praticar a empatia, compreendo que mesmo eu precisando da pessoa, porque estou carente, posso e é adequado que eu respeite seu momento de angústia, dor e sofrimento, adiando meu encontro.

Antigamente se cobrava nas empresas que as pessoas deixassem seus problemas de casa do lado de fora da porta como se a gente pudesse se dividir ao meio ou em trinta partes com sentimentos emoções especificas a cada uma das partes. Isso é impossível! Somos seres integrais e indivisíveis. Onde formos, nossas qualidades e defeitos irão junto!

É necessário buscar a causa do problema e a sua solução, que nem sempre é fácil de implantar, porque implica em abrir mão de alguns de meus “quereres” e desenvolver compaixão, abrir mão do egoísmo e aceitar que não somos os únicos detentores da verdade. À medida que respeitamos limitações e o espaço de cada um, mesmo quando este último é pequeno e nele moram muitos, desenvolvemos paciência, tolerância, respeito e o amor começam a se somar no lar.

Construir relacionamentos e convivência saudável implica em diagnosticar, aprender e mudar. Isso é fácil? Não, claro que não! Mas é possível. Não há receitas mágicas, é necessário processar autoconhecimento e desenvolvimento simultaneamente e no contexto do cotidiano, não fora dele. E consequentemente colocar em prática a aprendizagem.

Uma boa convivência implica em gerar delicadeza, capacidade de escutar, desconectar-se para dar atenção ao outro, tenha ele a idade que tiver; antecipar-se e aprender a fazer a leitura adequada dos meus comportamentos e dos do outro.

Meu autoconhecimento tem que servir para me aceitar com potencialidades e limitações e decidir melhorar. Para tanto, deveremos desenvolver a humildade e a empatia. Não posso exigir que o outro mude porque isso não me pertence, porém pela empatia consigo compreender como se sente. Preciso do outro para gerar amor, companheirismo, fraternidade, compreensão, empatia, humildade. Então concluo que, para isso, preciso compor relacionamentos e uma convivência saudável baseada no respeito.

Susana Raurich
Coach Psicoterapeuta